O tradicional líder cristão: um tipo de gestor para um novo mundo

É fato! Se nós, líderes, não estivermos atentos e acompanharmos as velocidades das mudanças que estão acontecendo no mundo, rapidamente nos veremos como irrelevantes para o contexto social, cultural e econômico de qualquer organização. 

Todas as mudanças requerem mudanças na forma de gestão, implicando, principalmente em uma gestão na qual não há mais espaço para o tradicional “comando e controle”.

O novo estilo de gestão é centrado no coletivo e não mais no indivíduo. Para que isso ocorra, é preciso capacitar e empoderar as pessoas para que, com o envolvimento e comprometimento de todos os profissionais, possamos promover as respostas adequadas às demandas do mercado.

As empresas de sucesso de hoje, exigem que todos os funcionários tomem a iniciativa e vão além dos requisitos descritos em suas definições de cargos.

E não só as empresas mudaram suas necessidades de gestão. A atual força de trabalho, também, demonstra uma maior necessidade de realização, inovação, autonomia e autoestima.

 É ponto amplamente estudado e pesquisado, no campo da liderança, que organizações e pessoas geridas desta forma, contribuem mais e melhor para os resultados das empresas e da sociedade de forma geral.

Todavia, alguns julgam que este tipo de gestão é apenas para os fracos e que se agirem dessa forma, perderão oportunidades de ganhar mais dinheiro ou diminuirão a sua reputação.

Será que este tipo de gestão dá certo?

Quando penso em grandes líderes que alcançaram um resultado extraordinário, no topo da lista está Jesus Cristo. Considere o modo como ELE liderou.

Em um contexto histórico, ainda persistente – aparentemente mais fácil – no qual os “líderes” são temidos e respeitados pela força, vem à minha mente uma série de provocações.

Se Jesus não precisava empoderar ninguém, logo não precisava de discípulos; se, também, não precisava debater nada, nem muito menos pedir autorização, por que dialogava? Se não tinha tempo para ouvir opinião alheia, nem usava “pães e peixes” para fazer as coisas, por que então ELE o fez? Por que Cristo não seguiu a tradição da época, liderando com “mão de ferro”? Por que não recorreu ao milagre, ao expediente rápido, como caminho de sua liderança?

Jesus teve a coragem de inovar no modelo de liderança. ELE demonstrou o quanto todo o coletivo é fundamental para alcançarmos um objetivo duradouro. Entendeu que isso era parte do processo, parte do plano de Deus para a remissão dos pecados – e quando foi necessário, não se esquivou de sua responsabilidade e assumiu seu papel como líder, carregando sobre SI a cruz, para nos salvar.

Jesus soube delegar e não fugiu quando foi necessária sua atuação direta. E o mais interessante: tal movimento veio acompanhado daquilo que hoje chamamos  de “treinamento de imersão”, pois seus discípulos – conceito amplamente utilizado na área de marketing como “embaixadores da marca” – aprenderam o que era necessário para dar continuidade à obra de Deus, durante os três  anos que caminharam juntos.

Muitos estudiosos de liderança atualmente, em todo o mundo, acreditam que o “novo estilo” de gestão é a resposta para os desafios sociais, culturais e econômicos que enfrentamos no dia a dia – um estilo que valoriza, respeita e empodera as pessoas, privilegiando o coletivo e respeitando suas capacidades.

A capacidade de sobreviver e prosperar em condições estruturais cada vez mais complexas está no cerne da liderança.  Talvez este novo estilo de liderança não seja tão novo assim.

Ou você discorda, independente da sua crença, que Jesus inovou praticando este “novo paradigma”? Ele promoveu um estilo de liderança comprometido com o bem comum global e orientado por valores que refletiam sua capacidade de lidar com a complexidade.

Para adotarmos o estilo de liderança de Jesus e nos tornarmos líderes cristãos autênticos, precisamos ter em mente que será pedido de nós aquilo que não queremos dar. Precisaremos fugir da armadilha do ego, vencer a tentação de querer que Deus nos faça pessoas honradas; vivendo de tal forma que a nossa vida seja para a honra de Deus.

Ou seja, se agirmos como líderes baseados nos ensinamentos de Cristo, Deus exige o que não queremos entregar: o nosso sentimento de rejeição e nossas questões impossíveis e impensáveis. Precisamos desistir da pretensão e da arrogância de sermos o nosso próprio “autovalidador”. E ainda: temos que desistir de todo juízo que fazemos do próximo.

Finalmente, para realmente liderar, mantendo a tradição inovadora ensinada pela vida de Jesus, precisamos deixar de ser apenas um tipo de liderança representada por um “chefe designado”, amparado por um cargo formal dentro de uma hierarquia organizacional de comando-e-controle, dentro da qual as pessoas apenas obedecem, por medo de serem demitidas e, infelizmente, não desenvolvem totalmente os seus potenciais.

Ou seja, é necessário acreditarmos, com líderes, que tudo está consumado, que Jesus não é um esquema histórico midiático – Ele é o caminho, não há atalhos.

Isto não é discurso. Tem a ver com inovação, com caráter, pois altera o caminhar e dá segurança e sentido para a vida.

Colocar firmeza no fundo da mente – tendo a certeza de que não há “nada que possa nos separar do amor de Cristo” – é a âncora da alma para aquele que, de fato, crê na pregação.

Não existe mágica, porém há milagres nesse mundo. “Milagres” são, em várias definições, eventos raros, mas verificáveis. Intervenções divinas neste mundo. E a única verdade que opera o milagre é a pura e sincera autenticidade do coração.

Qual o tamanho da sua fé?

Claudio Almeida (psicólogo, escritor, especialista em liderança e desenvolvimento de pessoas)

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