O líder cristão que desistiu

Frequentemente, os líderes estão com o tempo totalmente tomado. 100% ocupado! Acredito que você também esteja. Correto?

Por vezes, nos sentimos sufocados com tantas responsabilidades, entregas e expectativas sobre os nossos ombros. Ao longo do dia ( e muitas vezes durante a noite ) somos acionados para resolver problemas, ou criar estratégias que respondam às necessidades do mercado e às pessoas que trabalham conosco. Estamos na ativa “24/7”.

Mesmo nos esforçando para extrair o melhor de cada indivíduo e ouvir a opinião da nossa equipe, mesmo seguindo a cartilha que aprendemos nos treinamentos de liderança; de tempos em tempos pensamos em desistir de tudo – e deixar pra trás todos os sonhos, os planos, os objetivos ou, também, os liderados. Nos sentimos exaustos, e todas noites, quando conseguimos dormir, temos a certeza de que não teremos energia para viver o próximo dia.

Você – assim como eu – sabe que a liderança costuma ser um terreno solitário, no qual precisamos nos adaptar, quase instantaneamente, se quisermos sobrevier ao canibalismo social. Sempre precisamos tomar decisões importantes, que impactam não somente as nossas vidas. E, para isso, temos que nos apoiar em todo o nosso conhecimento e experiência para alcançar sempre os melhores resultados, pois o líder que falha não se mantém muito tempo no topo da pirâmide. Pelo menos foi assim que aprendemos.

O que vou te falar agora pode parecer antiquado. Porém,  quando esta angústia ficava muito forte no meu coração, costumava pensar na antiga igreja que frequentava com a minha mãe, quando era criança. Realmente é meio antiquado né? Pensar nisso, de alguma forma aliviava o meu coração. Sinceramente eu não entendia porquê. Existem tantas outras maneiras de “aliviar o estresse”. Alguns buscam este alívio na bebida, no jogo, nos esportes, outros usam drogas ou recorrem à pornografia para tentar preencher o vazio interior – que muitas vezes é atribuído ao estresse do dia a dia.

Comecei a ficar incomodado com o fato de pensar na igreja e passei a questionar a minha fé. Pois,  se Deus é amor, como eu posso me sentir tão solitário, infeliz e cansado?

Eu não tinha noção do quanto libertador seria questionar a própria fé. Este movimento teve um grande impacto na minha vida e me levou a desistir da religião…

Desistir da religião foi reconhecer que a minha autossuficiência e arrogância apenas espelhavam as minhas conquistas. Ainda que todas elas tenham sido obtidas com muito suor, sangue e lágrimas, ainda assim, não eram suficientes para preencher o vazio existencial que insistia em arder no meu peito.

Quanto mais dor eu sentia, maior era a minha luta para alçar voos maiores na esperança de preencher o mar de incertezas nas quais estava mergulhado. Eu não tinha respostas para perguntas do tipo: Quando será o suficiente? Quanto de dinheiro, prestígio e poder serão suficientes para que eu possa descansar? 

Coloquei na minha cabeça que iria “desmoralizar” a religião da minha mãe e comecei a pesquisar sobre o tema. Como eu poderia estar perdendo tempo pensando nessas coisas de igreja? Quanto mais estudava, mais percebia que a interpretação equivocada que eu fazia do Evangelho, me levaram equivocadamente a acreditar que “não iriamos sofrer se crêssemos em Deus”. Este tipo de compreensão nos leva a pensar que o caminho da cruz que todo cristão deve trilhar é algo negociável e evitável, pois se Deus permite o sofrimento, então ele não deve ser um Deus tão bom assim e suas promessas não são confiáveis.

Nossa decepção com Deus muitas vezes vem do engano: aquele que diz – se nos esforçarmos ao máximo para vivermos segundo a Palavra de Deus, não teremos sofrimentos. Que se crermos, coisas ruins não acontecerão para nós.  Ou com aqueles que amamos. Acreditamos que vivemos uma relação na qual temos que agradar a Deus para sermos salvos e recebermos suas bençãos. Em vez de aprendermos que primeiramente fomos salvos, por isso vivemos conforme a vontade Deus. Por que é tão difícil aceitar ser amado primeiro? Não estamos em uma relação de barganha com Deus. Estamos no tempo da Graça.

Confronto-me, diariamente, com este tipo de pensamento, pois mesmo sabendo que seremos traídos por pais, irmãos, parentes e amigos, além de odiados e mortos em razão do nome de Cristo, é preciso perseveramos na fé – com a certeza da salvação e de que nem sequer um fio de cabelo das nossas cabeças será tocado. Ele prometeu estar conosco em todas as “tempestades” e não que nunca teríamos “tempestades”. Pode parecer incoerente ser traído, morto e não ter nenhum fio de cabelo tocado, mas o que Ele está dizendo é que nos manterá seguros e salvos NELE, no sacrifício de Jesus Cristo.

Não existe liberdade e nem conseguimos lidar com os problemas da vida, se o que amamos, se aquilo que é o primordial para o nosso coração, são coisas que apenas atendem aos nossos próprios interesses. Enquanto formos devotos do dinheiro, da carreira, do poder ou do sucesso, mais do que do próprio Deus, seremos apenas escravos, sem identidade. Ecravos sem propósito, pois qualquer coisa que ameaçar o “objeto deste amor” nos causará muito mais do que tristeza e sofrimento; causará pânico, medo e frustração, detonando assim um vazio existencial total e  um sentimento absoluto de abandono.

É de suma importância entender que Cristo não veio ao mundo somente para trazer perdão e salvar almas. Ele veio também para ser o alicerce da justiça, renovar o mundo e recuperar toda a criação. Ele veio para trazer dignidade para os miseráveis e transformar o individualismo em coletividade. O evangelho é relacional, tendo Deus criado tanto o corpo quanto a alma.

Logo, cabe a nós também cuidar do corpo e da alma. Quando aceitamos o convite feito por Cristo vemos que não é mais necessário provar nada para ninguém, inclusive para nós mesmos.

Hoje eu vejo que minhas ações em relação a justiça social e à liderança, não passaram de uma “poça rasa” para aliviar o meu ego, visto que temos pela frente um imenso oceano de oportunidades existentes em Deus.

Em relação ao meu trabalho como líder e o quanto isso tudo é aplicável no meu dia a dia, afirmo que vivenciar os preceitos cristãos me ajudaram a estabelecer uma cultura de confiança e respeito com todos os meus pares, liderados, parceiros e clientes.

Questionar a minha própria fé me libertou e fez com que eu desistisse da religião e abraçasse definitivamente o Evangelho!

Você precisa “nascer de novo” …

Claudio Almeida (psicólogo, escritor, especialista em liderança e desenvolvimento de pessoas)

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