Confissões de um líder

Em uma das inúmeras palestras que eu já ouvi por aí, um fato em especial me marcou bastante. O palestrante falou a seguinte frase: “As pessoas mais problemáticas e difíceis de amar são aquelas que mais precisam do nosso amor.” No momento em que eu ouvi isso, parecia que um pedaço de madeira tinha batido severamente na minha cabeça, e logo tive a certeza que aquela mensagem era pra mim. Refletindo sobre isso, fiz um paralelo com o meu trabalho, e com as minhas ações como gestor e líder de pessoas. No meu modo ver, minhas ações sempre tinham a intenção de viabilizar oportunidades de crescimento e desenvolvimento para os profissionais das empresas em que trabalhei ao longo do tempo, sendo assim, como esta frase me impactou tanto?

O critério que eu sempre defendi foi a meritocracia, e direcionei esforços e investimentos, inclusive financeiros, para os “talentos” das empresas. Percebi que os considerados “não talentos”, aos poucos eram deixados de lado, sendo renegados e largados a sua própria sorte. Eu tinha certeza do que estava fazendo, e achava aquilo muito justo. Afinal de contas, não é correto colocar todas as pessoas no mesmo patamar.

Sempre que eu era questionado em relação aos “talentos da empresa”, eu dava a seguinte resposta: “Quando você coloca todas as pessoas no mesmo “saco”, apenas os incompetentes ficam felizes”. Eu decidia quem merecia e quem não merecia receber destaque…. Quanta tolice….

Continuei refletindo sobre isso e percebi, que não adianta ser bem-sucedido, ter conforto, uma boa vida, e ser reconhecido por uma sociedade na qual o status social e as realizações pessoais são o fundamento da nossa identidade, sendo que a principal razão do trabalho é nos tornarmos úteis uns aos outros e construirmos relações que promovam a justiça social.

Se coloque por um instante na posição dos “não privilegiados”, que tem a sua dignidade despedaçada todos os dias por uma sociedade que insiste em reforçar a sua posição de fracassados. Talvez você tenha a resposta para isso: “lute pelo que você quer e seja o seu próprio salvador, pois eu fiz isso e deu certo.  Deixe de ser medroso, e mostre que eles estavam errados sobre você”. Este tipo de resposta pode servir para aqueles líderes que não conseguem enxergar que este tipo de postura impacta o futuro de seus filhos, netos ou qualquer um que venha após eles.

Mesmo para aqueles líderes que não estão preocupados com o futuro e com o legado que deixarão para a sociedade, é importante destacar que o ser humano não é definido por forças externas, e muito menos, o seu valor não está nas coisas que conquistou ou que deixou de conquistar. Se isso for defendido e principalmente vivido por todos nós, a postura do “não talento” e a postura para com os “não talentos” mudará. E além disso, quando a sociedade vê você se dedicando as pessoas que são mais “difíceis de serem amadas”, aos “não talentos, logo se interessarão em saber o que está acontecendo, e consequentemente o significado do trabalho estará muito além de ganhos pessoais, mas sim em servir ao outro.

Independente se você é líder ou liderado, sejamos agentes de cura social e vivamos o amor e o perdão que tanto desejamos ver no outro.

“Chorar por uma pessoa que esta morta não é tão triste quanto chorar por uma uma pessoa que ainda vive mas que a perdemos para sempre.” – J. K. K. Tolkien

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