Contracultura Cristã

Desde o início da minha carreira na área de Gestão uma coisa me incomodava bastante. Sempre vinha em minha cabeça o “Como eu vou provar especificamente o impacto do meu trabalho e comprovar que aquilo que eu fiz tem relação direta com o crescimento das pessoas e consequentemente o resultado da empresa? Eu não achava justo ficar à mercê somente da capacidade argumentativa do profissional e do nível de influência que ele tem sobre os decisores. Eu não queria sentir que estava manipulando as pessoas para fazer o que eu achava que era o certo.

Este incomodo se tornava cada vez mais forte quando eu vivenciava situações nas quais as entregas eram questionadas e muitas vezes ridicularizadas por não terem evidências objetivas quanto à eficácia supostamente atribuída pelos métodos estabelecidos pelas ditas ciências exatas. Pois afinal, se você não puder medir, não existe. Não é isso que a gente aprende na universidade?

 Decidi então começar a estudar e defender metodologias que de alguma forma dessem conta deste incomodo. Fiz certificações internacionais em modelos consagrados, li dezenas de livros deste assunto e por muito tempo tentei implantar esses modelos nas organizações. Estava realmente disposto a não ser mais o primeiro setor a ter o orçamento cortado quando as coisas apertavam. Sempre me perguntei o seguinte: Se as pessoas são a empresa, porque o investimento nelas é a primeira coisa a ser cortado justamente quando mais precisamos do potencial humano para enfrentar uma crise?  Por muitas vezes fui levado a crer que este papo de que pessoas são o “ativo mais importante de uma companhia” eram mentiras apenas para sair “bonito na foto”. Na verdade, quem estava mentindo era eu. Eu não buscava métodos para comprovar os resultados do meu trabalho visando o desenvolvimento das pessoas. O que eu realmente queria era provar pra mim mesmo que era capaz e principalmente ser reconhecido e ter a aprovação indiscutível de todos aqueles que de alguma forma se relacionavam comigo. Puro egoísmo, apenas visando crescimento financeiro e ser “apontado” como referência de sucesso, assim me tornando um exemplo a ser seguido pelos outros. Minha vaidade me cegou durante muito tempo…

Precisamos estar atentos, pois nossa ambição e idolatria ao poder e ao dinheiro nos levaram a crer que para acalmar o nosso coração, é necessário conquistar o mundo e ser o seu próprio salvador. Para muitos, a religião se tornou a busca pelo reconhecimento dos outros e o nosso próprio julgamento em relação ao nosso valor como indivíduo. Pois afinal de contas, não basta ser bom naquilo que faz, é necessário que todos nos olhem com admiração.

Tendo coragem de assumir o nosso fracasso como nosso próprio salvador visto o enorme “buraco” causado pela falta de sentido e total ausência de alegria, é importante refletirmos sobre o conceito de religião. Conclui que na bíblia, a palavra religião normalmente é usada de maneira negativa. A crença negativa das bases da religião é que eu obedeço a Deus, logo sou salvo.  É uma troca de interesses. Este é o primeiro choque que temos quando paramos para pensar em tudo que vivemos até aqui, pois, os princípios do evangelho que aprendemos e dizemos que aceitamos em nossas vidas, são totalmente na contramão das bases negativas da religião. Nós cremos que somos aceitos por Deus por meio do sacrifício de Jesus Cristo, logo obedecemos com alegria e amor. É pela graça e não por nossos próprios méritos.

Se continuarmos a refletir, logo percebemos que aparentemente não é tão simples a diferenciação entre religião e evangelho. As vezes as pessoas fazem exatamente as mesmas coisas, por exemplo: ajudar os pobres, frequentar uma igreja local e até mesmo pregar a palavra de Deus. A diferença entre uma e outra, está na intenção que essas coisas são feitas. Eu faço por medo de não ser aceito e assim não receber os benefícios de Deus ou faço pois tenho a certeza de que sou aceito por Deus? Faço o que faço pelas bases da religião ou pelas bases do Evangelho? Definitivamente é impossível não fazer um paralelo com a vida profissional.

Uma das partes mais difíceis disso tudo é perceber que o autojulgamento e o julgamento que fazemos em relação as outras pessoas são parte das bases que nos afastam da nossa real identidade. Os caminhos indicados por muitos “gurus do propósito”, que realizam verdadeiros cultos a autoestima, não ajudam a resolver esses problemas, pois não alertam e muito menos convencem do erro, além de passarem longe de promover o arrependimento tão necessário para o desenvolvimento humano. Sem arrependimento não existe mudança e sem mudança não existe desenvolvimento. Sem arrependimento só existe zona de conforto. Definitivamente elevar a autoestima não resolverá os problemas.

Você pode estar se perguntando onde eu quero chegar com tudo isso. O que quero dizer, é que como o cristão participa do reino de Deus, deve ser inevitável sua preocupação com a cultura, mas não com uma cultura pessoal, centra em si mesmo, mas como um instrumento da glorificação de Deus.  Como disse Klaas Schilder: “ O cristão não deveria ficar satisfeito em comer os farelos que caem das meses culturais dos degenerados”, mas sim, assumir o protagonismo das ações, empoderados pelo sangue do Jesus Cristo, e assim restaurar a cultura, produzindo a verdade e dando andamento a maior reforma cultural já existente na face da terra – a vinda de Jesus Cristo.

Tenhamos consciência de que cultura não é uma questão de disputa de argumentos, mas sim de coragem, no qual o processo decisório é a própria fé. Como cristãos, temos a responsabilidade de servir a Deus com o nosso próprio chamado e habilidades independente de onde estejamos e com quem estivermos nos relacionando.

Lembre-se, você não trabalha para uma empresa, para um chefe ou para você mesmo. Você trabalha para alguém muito maior do que tudo isso. Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor. (1 Corintios 4:5).

Assuma a sua responsabilidade no cuidado com o Reino de Deus e tenha a coragem de viver conforme o que você mesmo fala. Pois segundo Carolyn Taylor, é fato que a cultura é o padrão de comportamento resultante das mensagens que as pessoas recebem sobre como se comportar, o que as encoraja e o que as desencoraja.

Vamos em frente!

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